11 de Julho de 2009

Entrevista com Fabio Barbieri

O único economista austriaco brasileiro (torcendo para que essa singularidade não dure muito tempo) dá uma entrevista no blog do ordem livre.

29 de Junho de 2009

Os problemas do modelo dos salários de eficiência

Atualmente a ciência econômica se encontra numa situação crítica sob vários aspectos. Após a segunda guerra mundial ocorreu uma mudança na concepção de ciência que os tinham de si mesmos. A economia deixou de ser uma ciência lógica e filosófica da ação humana, com o objetivo de compreender a realidade econômica de um ponto de vista filosoficamente satisfatório e passou a ser uma ciência formal que tenta imitar os métodos e técnicas das ciências exatas, utilizando muita matemática, modelos formais e a estatística com o objetivo de testar teorias. Esse modo de fazer ciência, que começou em torno de 1950, teve seu auge nas décadas de 70 e 80 e hoje já está em declínio, embora é claro, ainda seja o método padrão ensinado em todas as universidades de alto nível, tem como uma de suas criações mais bizarras e paradoxais o conceito de salários de eficiência.

Eu argumento que o conceito de salários de eficiência é fundamentalmente falacioso no sentido que se propõe a explicar fenômenos de certo tipo utilizando ferramentas analíticas que foram desenvolvidas para se compreender fenômenos de outro tipo. Em outras palavras, o modelo de salários de eficiência se propõe a tratar de problemas dinâmicos se utilizando de ferramentas analíticas apropriadas para a análise estática, logo, ao abordar esses problemas por essa ótica, falha em capturar o que deve ser explicado de antemão.

O que significa salários de eficiência?

O modelo de salários de eficiência é baseado no pressuposto inicial de que os contratos são incompletos. A partir desse pressuposto se busca explicar porque que existe desemprego no mundo real, já que no modelo de equilíbrio geral não existe desemprego, e porque é comum que os empregadores pagam salários maiores para seus funcionários do que a média de mercado, o que não ocorre no modelo de equilíbrio geral onde os preços são uniformes pelo mercado.

Vamos imaginar que temos dois tipo de trabalho t1 e t2. O tipo de trabalho t1 é constituído pelo trabalho mal feito, de baixa qualidade, concentração e intensidade. O trabalho t2 é constituído pelo trabalho bem feito de alta qualidade e intensidade. No modelo de equilíbrio geral temos então dois mercados, o mercado de t1 e o mercado de t2. Os mercados de t1 e t2 se equilibram no ponto que iguala a oferta e a procura, logo, não temos excesso de oferta de trabalho do tipo t1 ou t2. A diferença é que como é mais fácil executar o trabalho t1 e como ele resulta num produto marginal inferior ao trabalho do tipo t2, os preços do t1 sempre será menor do que o preço do t2.

O modelo dos salários de eficiência então diz que os contratos são mal feitos no sentido que num contrato de venda do trabalho do tipo t2, os trabalhadores vão na verdade ofertar t1, ou seja, trabalho mal feito, travestido de t2, trabalho bem feito. Isso ocorre devido a custos de monitoramento dos trabalhadores. O empregador não sabe a um custo nulo se os trabalhadores estão mesmo ofertando t2 ou se estão ofertado t1 e dizendo que é t2. Logo temos um custo de transação e por isso, uma imperfeição nos contratos.

Assumindo que os custos de monitoramento sejam relativamente altos (o suficiente para que o monitoramento perfeito não valha a pena), então a tendência é que os trabalhadores fiquem ofertando o trabalho de tipo t1 em troca do salário do tipo t2. Mas as empresas podem se livrar disso através de salários acima da média, segundo a teoria, porque salários acima da média implicam em perda no caso da demissão: O trabalhador vai ganhar menos em outro emprego. Isso significa que mesmo com monitoramento imperfeito (logo, com apenas uma probabilidade de demissão por falsificar a venda de trabalho) se os salários da empresa estão significantemente acima da média o custo de fazer t1 se passar por t2 não vale a pena à redução do esforço.

Logo, o modelo chega à conclusão que a estratégia ótima por parte das firmas é oferecer salários mais elevados para comprar o trabalho do tipo t2 do que os salários médios de mercado. Só que com salários mais elevados os trabalhadores vão ofertar mais trabalho e as firmas vão demandar menos trabalho! E essa situação corresponde a um equilíbrio: Logo, se temos custos de formulação de contratos temos um equilíbrio que não corresponde ao equilíbrio walrasiano, que iguala a oferta e a procura e por isso temos desemprego, no sentido que temos discrepância entre a quantidade ofertada de trabalho e a quantidade demandada, onde no caso, a primeira excede a segunda. Até aqui tudo bem. Mas existe um pequeno problema com esse modelo: Ele é uma merda.

Problemas internos ao modelo

Esse modelo contém sérios problemas internos. O leitor atento já deve ter notado um já está aparente na minha exposição. No caso, se a estratégia ótima por parte das firmas é oferecer um salário acima da média do mercado, se todas elas fizerem isso, bem a média do mercado sobe e as firmas não ganham nada ao elevar os salários. Mas nesse caso qual é o equilíbrio? O equilíbrio é não comprarem nenhuma quantidade do trabalho do tipo t2, ou seja, no equilíbrio temos um desemprego de 100% no mercado de trabalho por t2.

Isso ocorre porque assumindo um ponto inicial onde temos os salários de t2 no nível de equilíbrio walrasiano. É uma estratégia ótima por parte das firmas oferecerem um salário acima da média, e por isso demandar uma quantidade menor de trabalho. Mas então todas s firmas vão fazer isso e temos o problema de risco moral atuando novamente. Agora os trabalhadores ofertam t2 e na verdade executam t1 a um nível de salários acima do nível de equilíbrio. Mas qual a estratégia ótima por parte da firma individual nesse caso? É elevar os salários ainda mais (para bater a média), e demandar uma quantidade ainda menor de trabalho. Como é impossível com que todas as firmas executem uma estratégia ótima (ofertar salários acima da média) porque elas determinam à média, o equilíbrio só será atingido quando os salários ficarem tão altos que não vale a pena comprar nenhuma quantidade do trabalho t2. Nesse caso temos um crowding out do mercado de trabalho t2 devido a informação assimétrica com relação ao trabalho realizado. Um caso similar ao analisado pelo igualmente falacioso modelo dos carros usados do Arkelof.

Outro problema reside no fato de que o trabalhador em época de desemprego não vai ficar com medo de ser demitido se seu salário está acima da média do mercado. Ele vai ficar com medo de ser demitido se seu salário está acima de zero. Pois se for demitido e tivermos desemprego, então ele vai permanecer desempregado, caso não ocorra demissões em massa devido à moral hazard e contratações em massa de quem estava desempregado. Logo, a partir de uma situação inicial de equilíbrio walrasiano não temos um equilíbrio devido à moral hazard. E para se livrar do moral hazard os salários se elevam acima do nível de equilíbrio walrasiano. Só que acima do nível do equilíbrio walrasiano temos desemprego e a estratégia ótima das empresas é oferecerem salários menores, porque salários baixos são muito melhores do que ficar desempregado. Mas então voltamos ao equilíbrio walrasiano, só que no equilíbrio walrasiano não temos desemprego e por isso, temos desequilíbrio. Logo: O equilíbrio não existe no modelo se admitirmos que o trabalhador pode ficar desempregado se for demitido.

O real problema do modelo

Mas esses probleminhas não passam de aspectos mal resolvidos do joguinho matemático existente dentro dos pressupostos do modelo. O problema não é essencialmente esse: O problema é que o modelo tenta explicar a existência de desemprego como resultado de um processo de ajustamento. Mas o desemprego não é resultado de nenhum processo de ajustamento pela sua própria definição. O desemprego é um processo de ajustamento. Quando temos desemprego? Pela definição clássica do termo “desemprego”, temos desemprego quando os trabalhadores traçam um plano de oferta de trabalho e esperam que esse plano resulte na compra do trabalho que foi ofertado. Se o trabalho não é adquirido, então os trabalhadores revisam suas expectativas e reformulam seu plano de oferta. Em outras palavras, temos desemprego quando o processo de ajustamento de desequilíbrio ainda não se completou.

E quando temos dispersão dos preços? Pela mesma razão: Os preços de um mesmo bem comercializado no mercado são diferentes devido ao fato de que os agentes ainda não descobriram todas as oportunidades de ganho existentes. Por exemplo, se alguém vende algo por 10 e existe outro alguém comprando a mesma coisa por 15, então ambos não estão traçando planos inconsistentes com o equilíbrio. Na verdade tanto o desemprego quando a dispersão de preços são fenômenos naturais do mercado em desequilíbrio, que tendem a desaparecer em função do tempo.

O que o modelo de salários de eficiência efetivamente pode dizer é que se existem custos de transação devido a custos de formulação de contratos e monitoramento, então certas transações que ocorreriam num equilíbrio walrasiano sem custos de transação deixam de ocorrer no equilíbrio com custos de transação. Isso não significa que temos desemprego e dispersão de preços no equilíbrio. Em primeiro lugar, se um trabalhador X está disposto a trabalhar por 200 e os consumidores estão dispostos a pagar 250 pelo produto do trabalho do trabalhador X, mas o custo de transação em contratar o trabalhador é de 100. Então no equilíbrio o trabalhador X deixa de ser contratado. Mas isso não significa que o trabalhador X está desempregado, significa que o trabalhador X está inativo. O desemprego ocorre quando o plano de oferta de trabalho falha. E esse plano pode falhar mesmo que exista a possibilidade de emprego, no caso, se o trabalhador X vale até 250, se ele oferecer seu trabalho por 300 mesmo que seu salário reserva seja de 200, então ele tenderá a não ser contratado por 300. Mas no equilíbrio ele vai trabalhar porque existe uma oportunidade de ganho liquido em trabalhar. Na situação reversa podemos ter o caso de um trabalhador cujo salário reserva é de 300 e sua produtividade marginal é de 250, sabendo disso ele não vai ofertar seu trabalho e não ficará desempregado involuntariamente. Resumindo: Desemprego e a impossibilidade de realizar transações mutuamente benéficas devido a custos de transação são conceitos estritamente diferentes.

Uma situação análoga ocorre com a dispersão de preços: Se temos preços diferentes em locais diferentes devido a custos de transporte, ou se temos preços diferentes por um trabalho t2 com garantia de ser t2 em relação a um trabalho t2 que pode ser na verdade t1, na verdade temos preços diferentes por bens diferentes. Preços dispersos são preços diferentes por bens iguais! Ou seja, o agente compra X por 5 e poderia comprar por 3 mas não compra, e estou assumindo que o custo da informação com relação as ofertas no mercado seja zero! Logo, o agente só vai pagar mais por algo que pode pagar menos se estamos em desequilíbrio, porque não é uma estratégia ótima.

Como podemos analisar desemprego e dispersão de preços? Através do uso de ferramentas analíticas adequadas para a análise de processos em desequilíbrio. Modelos de equilíbrio como esse não são úteis ou mesmo relevantes e apenas demonstram a ignorância de seu criador com relação à natureza dos problemas com que ele precisa lidar.

Edit: O que podemos salvar dos destroços do modelo dos salários de eficiência se resume no fato de que existem custos de transação para a venda de trabalho de qualidade superior. Logo isso significa que o volume de emprego de trabalho de qualidade superior é menor do que seria no caso da inexistência desses custos de transação. Mas isso não significa que temos desemprego, ou seja, uma discrepância entre os planos de oferta de trabalho e os planos de procura por trabalho, da força de trabalho, apenas que certos tipos de transações mutuamente benéficas não podem ser realizados porque o custo de executá-los é maior do que os ganhos líquidos derivados de sua execução.

27 de Junho de 2009

Um trabalho que explica a Teoria Austriaca dos Ciclos

É um trabalho da faculdade, fiz para explicar a teoria austriaca de ciclos. Uso a terminologia mais precisa de teoria Wicksell-Mises-Hayek dos ciclos.

Aqui está.

22 de Junho de 2009

Férias: Efeitos nos blogs

Agora que estamos no meio do ano é periodo de férias nas universidades do hemisfério norte. Os professores então dispoem de muito tempo livre para postar. No blog, The Austrian Economists, por exemplo, os professores Peter Boettke e Steven Horwitz estão postando muito, na ordem de várias paginas de texto diariamente (principalmente nos comentários).

Por exemplo, Horwitz em seu post sobre teoria monetária.

E Boettke em seu post sobre metodologia.

10 de Junho de 2009

Não existe economista keynesiano!


Não existe economista keynesiano! Cheguei a essa conclusão nos últimos meses, enquanto refletia com relação ao significado da palavra “Keynes” para a profissão dos economistas. Tecnicamente falando, cheguei a conclusão que essa palavra não possuí significado determinado, variando em função do economista que a pronuncia. Muitos economistas já foram classificados como “keynesianos”, embora suas idéias pouco tivessem relação com outros economistas classificados pelo mesmo rótulo.

Por exemplo, os seguintes economistas já foram classificados como keynesianos: Samuelson, Joan Robinson, Paul Davidson, G. L. S. Shackle, Sraffa e Galbraith. O que Samuelson tem a ver com Sraffa e o que Sraffa tem a ver com Galbraith? Além de nenhum dos três serem liberais eles não possuem absolutamente nenhuma semelhança significativa. Samuelson é um economista matemático neoclássico, que é“ keynesiano” porque não acredita que os preços se ajustavam rapidamente a mudanças na quantidade de moeda no sistema econômico, algo que até David Hume já sabia (agora Hume era keynesiano?). Sraffa era um ricardiano, que acreditava que o valor das coisas não tinha relação com as preferências individuais com relação a essas coisas. O que ele tinha de keynesiano? Era meio comuna. Galbraith? Era um ideólogo comunista e heterodoxo radical, que acreditava que a teoria econômica moderna era um lixo. O que Galbraith tinha em comum com Sraffa? Ambos não gostavam dos neoclássicos. E com o teórico neoclássico, Samuelson? Absolutamente nada. Também nota-se o contraste entre Shackle e o resto da lista, Shackle era um subjetivista radical, Samuelson era um subjetivista estático, Robinson e Sraffa eram ricardianos (anti subjetivistas) e Galbraith era anti teórico (não usava nenhuma teoria do valor para entender a economia).

Keynesiano parece ter virado um rótulo empregado para descrever qualquer economista que não seja liberal e nem marxista. Já que a única coisa que une os da lista acima é que nenhum é liberal e nenhum é marxista. O olha que Samuelson é mais parecido com Milton Friedman do que com qualquer um da lista. Na verdade tanto Samuelson quanto Friedman ensinavam a mesma teoria do preço na sala de aula, a diferença é que Friedman aplicava a teoria a realidade... De qualquer maneira, não é satisfatório classificar de Keynesiano qualquer neoclássico que não entendeu o teorema de Coase. Ou qualquer economista intervencionista, já que existem milhões de intervencionistas que não foram keynesianos.

Bem, segundo Krugman, Keynes foi quem descobriu que os preços não se ajustavam rapidamente a variações na quantidade de moeda, o que significa que a variação na quantidade de moeda acaba gerando mudanças reais no sistema econômico. Para afirmar uma bobagem dessas Krugman certamente nunca teve contato com a literatura econômica anterior a Keynes ou mesmo da época do Keynes. Keynes nunca afirmou claramente o que é “demanda efetiva”, até hoje ninguém na profissão sabe mesmo o que isso significa e não existe um consenso.

Keynesiano não é o economista que defende políticas fiscais e monetárias expansionistas anticíclicas? Realmente, boa parte dos economistas da lista defende esse tipo de política. Já Keynes não. Segundo certas interpretações, Keynes não defendia nenhuma política anticíclica. Ele defendia uma política de “socialização do investimento” e “redução da taxa de juros de longo prazo para um valor estável que tende a zero”. Como essas afirmativas podem ter várias interpretações, não é possível definir como keynesiano um economista que defende políticas keynesiana porque não existe definição clara do que seja uma política keynesiana.

Além disso, nem todos os economistas classificados como keynesianos eram intervencionistas. Shackle não era intervencionista, era um economista que não era contra nem a favor da intervenção estatal generalizada, ele dizia que o mundo é muito complexo para se poder tomar qualquer decisão cientifica com relação às conseqüências da intervenção. Ele defendia a distribuição de renda, por exemplo, mas não defendia por qualquer motivo econômico, tanto que ele disse que achava legal distribuir renda e talz, mas admitia que não tinha nenhum argumento analítico para justificar a distribuição de renda.

Resumindo: Classificar um economista como keynesiano é tão impreciso quanto classificar uma banda de rock como “rock progressivo”. Logo, proponho que deixem de utilizar esse rótulo. O que já está acontecendo: Os livros texto de macro mais sofisticados já abandonaram qualquer referência significa à Keynes e ao keynesianismo (tipo o manual de macro do Robert Lucas).

Nota-se também que o termo keynesianismo deriva basicamente de interpretações do livro "Teoria Geral", os trabalhos mais antigos do Keynes eram mais objetivos e claros. Por exemplo, na década de 20 Keynes era um monetarista, quase igual a Friedman.

31 de Maio de 2009

Ensaio - Para que serve uma organização como o CADE?

O que é o CADE

[1]O CADE ou Conselho Administrativo de Defesa Econômica é um órgão do governo, criado com, supostamente, o objetivo de defender a concorrência. O órgão atua basicamente de forma a processar empresas que estejam fazendo políticas de preço coordenadas, fusões de grande porte ou qualquer situação onde uma empresa tenha uma grande fatia de mercado e aja de forma denominada como anticompetitiva. Essa organização atua de forma consistente desde meados da década de 90, embora tenha sido criada na década de 60. Sua atuação não foi significativa nos anos anteriores ao início da década de 90, porque nessa época no Brasil era considerado como padrão o mercado ser administrado por organizações estatais ou semi-estatais que coordenavam os preços, de modo que o conceito de defesa da concorrência não fazia o menor sentido. Atualmente observamos certas melhoras no ambiente competitivo no Brasil, com a existência de certa liberdade por parte dos empreendedores em anunciar preços (essa liberdade ainda não é absoluta em parte devido ao próprio CADE, como será tratado no final do artigo). Proponho mais um passo em direção a liberdade de concorrência: A extinção desse órgão, porque é uma organização cuja premissa se baseia numa teoria de preço incorreta. Na realidade a atuação da organização gera efeitos nocivos ao ambiente de negócios do país, devido ao ambiente de incerteza criado pelas ações da organização sobre o comportamento das empresas.

[2]Nota-se que embora atualmente as organizações antitruste se baseiam na teoria econômica para justificar sua atuação, historicamente as leis contra monopólios, cartéis e trustes não surgiram com o desenvolvimento da teoria clássica do monopólio. Uma das causas mais comuns da emergência de leis antitruste é devido a lobby de empresários para atacar seus concorrentes bem sucedidos usando o poder coercitivo do estado. Nos EUA a legislação antitruste de 1890 foi criada com o objetivo de defender os interesses dos empresários que não possuíam a capacidade de enfrentar as empresas que emergiam na época, particularmente a Standard Oil. Claro que a justificativa anunciada era outra, ou seja, proteger os consumidores do “poder econômico” dos trustes, mas é importante notar que no final do século XIX não existiam ainda os fundamentos teóricos que hoje são usados para condenar a concentração de mercado. Segundo os economistas clássicos a diferença entre monopólio e livre concorrência não era definida pela existência de concentração de mercado mas sim pela liberdade de troca, ou seja, de realizar transações em qualquer mercado. O grau de concentração não tinha relevância na determinação do grau de competitividade do mercado para esses teóricos. Foi apenas nas décadas posteriores a revolução marginalista que a teoria moderna ou marginalista do monopólio, que condena a concentração de mercado, foi desenvolvida. Vamos analisá-la.

A teoria marginalista do monopólio

[3]A idéia que está por trás do CADE é a mesma idéia que orienta a ação das organizações antitruste de praticamente todos os países civilizados do mundo: A idéia, baseada essencialmente no framework da teoria de equilíbrio geral, de que qualquer fatia significativa de mercado implica na possibilidade da firma em manipular os preços de mercado em seu favor através da manipulação consciente das quantidades ofertadas. Segundo o modelo clássico de monopólio, quando uma empresa se encontra numa posição onde oferta uma parcela significativa da quantidade de um certo bem, ela se defronta com uma curva de demanda que não é perfeitamente elástica, de modo que seu plano de produção ótimo não é produzir até igualar o custo da unidade marginal do bem produzido ao preço de mercado, que caracteriza o plano maximizador de lucro para firmas tomadoras de preços, mas sim produzir uma quantidade menor. A firma com poder de mercado produziria uma quantidade menor porque dessa forma seria possível elevar os lucros através da manipulação do preço, de forma que o preço do bem se torna maior do que o custo de produzir uma unidade adicional desse bem. Como nesse modelo se assume que os consumidores são agentes passivos, ou seja, tomadores de preços, eles igualam sua valoração marginal do bem em relação ao preço, de forma que o preço do bem reflete seu valor marginal. Isso implica que numa situação onde temos uma firma com poder de mercado, seu plano de produção se caracteriza por uma escala de produção aonde o custo de produzir uma unidade adicional do bem é menor do que o valor que os consumidores estão dispostos a pagar pela unidade marginal do bem.

[4]Para facilitar a compreensão do ideal do equilíbrio walrasiano ou competitivo podemos articular essa teoria em termos mais abstratos num framework de equilíbrio geral. Ou seja, sem produção e moeda, num ambiente onde os agentes ofertam e demandam bens que se constituem em dotações iniciais de cada indivíduo que participa do mercado. Ou seja, primeiro analisamos uma situação onde temos um equilíbrio walrasiano, que é um equilíbrio onde todos os agentes são tomadores de preço. Nesse caso os agentes maximizam seu nível de satisfação ofertando os bens que compõem sua dotação inicial em troca de bens cuja valoração marginal supera seu custo de obtenção. Em outras palavras, os agentes executam um plano de troca a partir dos preços de mercado com o objetivo de atingir o melhor estado de satisfação alcançável, e para conseguir melhorar de estado de satisfação nesse caso eles devem trocar bens que possuem por outros bens no mercado, de forma que qualquer possibilidade de ganho, existente quando existem discrepâncias entre os preços e as valorações marginais, seja aproveitada. Como estamos num equilíbrio walrasiano o sistema de preços iguala as quantidades demandadas e ofertadas. Nessa situação temos uma alocação onde todas as possibilidades de transação mutuamente benéfica são esgotadas, já que qualquer possibilidade de troca mutuamente benéfica implica na violação da eficiência dos planos de ação dos agentes em alcançar um estado de equilíbrio (ou seja, maximização da utilidade).

[5]Mas o que ocorre quando um agente possuí uma parcela significativa da oferta ou procura por algum bem? Nesse caso o equilíbrio alcançado deixa de ser competitivo ou walrasiano porque o agente pode influenciar nos preços de mercado escolhendo as quantidades que ofertará. O plano que maximiza seu estado de satisfação não é mais um plano coerente com a exaustão das possibilidades de troca mutuamente benéfica porque se o agente tem a capacidade de influir no preço de mercado através da manipulação da quantidade que ele escolhe transacionar, o agente não vai maximizar sua utilidade se agir como um tomador de preços, realizando todas as transações possíveis. Para atingir o equilíbrio com poder de mercado o agente precisa maximizar o ganho que obtém de suas transações e quando possuí poder de mercado o ganho é maximizado se o agente deixa de realizar transações mutuamente benéficas para elevar o preço do que vende ou reduzir o preço do que compra. Mesmo que as quantidades transacionadas sejam menores do que seriam num equilíbrio walrasiano, como os preços se modificam para valores que beneficiam o agente dotado de poder de mercado, seu estado de satisfação é preferível ao estado derivado de um plano correspondente ao plano de equilíbrio walrasiano. Quanto maior for o grau com que o agente consegue modificar os preços de mercado manipulando as quantidades que oferta e demanda, maior será a proporção das transações mutuamente benéficas que deixam de ser realizadas. Apenas quando o agente não consegue manipular os preços de mercado que a quantidade de transações realizadas corresponde ao ótimo, porque nesse caso não se deriva nenhum ganho em deixar de realizar uma transação mutuamente benéfica. Essa teoria é interpretada como sendo relevante apenas para o caso de firmas, já que dificilmente um consumidor individual conseguiria obter uma parcela significativa da procura por algum bem, já é uma realidade comum empresas que compõem grande parcela do mercado.

[6]Logo, segundo essa teoria se quebrarmos uma empresa dotada de poder de mercado em várias empresas menores, cada empresa resultante terá uma fatia de mercado menor do que a empresa original. Por isso perdem pelo menos parte do poder de influenciar os preços de mercado, de forma que os planos de produção dessas empresas se aproximarão mais dos planos de produção de firmas tomadoras de preços, que constituem na situação ótima. Nos termos de equilíbrio parcial, é uma situação ótima porque quanto temos firmas tomadores de preços elas produzem uma quantidade tal que o custo de produzir uma unidade adicional do produto se iguala ao valor que os consumidores estão dispostos a pagar por essa unidade, esgotando as possibilidades de troca mutuamente benéfica, possibilidades que existem quando temos discrepância entre preços e custos marginal. Nesse estado de equilíbrio alcançamos uma alocação que corresponde a um estado de ótimo paretiano. Isso significa que o CADE teria a função de reduzir o poder de mercado das firmas, já de modo que ao reduzir o poder de mercado ele estaria reduzindo as ineficiências do mercado e aproximando o mercado de um equilíbrio walrasiano. Além disso, o simples fato de atuar como organização que pune as firmas que se utilizam de seu poder de manipulação de preços para auferir lucros, iria impedir que grandes empresas utilizassem seu poder de mercado devido à expectativa de punição. Ou seja, o CADE não precisaria quebrar muitas empresas, apenas dar o exemplo para manter a comunidade empresarial na linha.

Os erros do conceito de poder de mercado

[7]O grande problema neste conceito está no fato de que os pressupostos existentes nos modelos onde temos poder de mercado não correspondem à realidade, ou seja, são inconsistentes com uma situação onde temos agentes racionais e onde o domínio da escolha (podemos chamar de espaço das estratégias) dos agentes não seja previamente delimitado por rígidos mecanismos de troca. Elaborando: No modelo tradicional do monopólio existem restrições do espaço de escolha dos agentes em três esferas, na esfera do monopolista, na esfera do consumidor e na esfera de terceiros.

[8]Tratando do primeiro caso: O modelo marginalista de monopólio é baseado na idéia de que o monopolista vai ofertar o produto por apenas um preço, ou seja, que ele pode apenas colocar um único preço para a totalidade da quantidade ofertada, não podendo discriminar. Se essa restrição for relaxada, ou seja, tivermos uma situação onde o monopolista pode discriminar livremente, então todas as transações mutuamente benéficas serão realizadas, já que dessa forma as transações que deixaram de ser realizadas no caso do monopólio com preço uniforme serão realizadas, porque o monopolista não precisa reduzir o preço ofertado por todas as transações que realizou para vender uma unidade adicional de um bem. Nesse caso o monopolista produz até quando o custo de produzir uma unidade adicional for maior do que o preço que os consumidores estão dispostos a pagar por essa unidade, logo, temos eficiência. Mas existe uma diferença clara entre esse caso e a concorrência perfeita, no caso do monopolista que é livre para discriminar, ele vai ofertar cada unidade do bem pelo maior preço que os consumidores estarão dispostos a pagar, em outras palavras, o monopolista discriminador irá auferir a totalidade dos ganhos líquidos derivados de suas vendas. A alocação é eficiente, no sentido que temos a efetuação da totalidade das transações mutuamente benéficas possíveis, mas é uma alocação diferente da alocação correspondente a um equilíbrio walrasiano, já que é uma alocação onde apenas uma das duas partes da transação se beneficia com relação a alocação existente antes da efetuação da transação.

[9]Outra restrição no modelo é a ausência de liberdade dos consumidores em formularem propostas de compra e venda para o monopolista. Ou seja, se temos o relaxamento dessa restrição, os consumidores não vão deixar de fazer uma oferta de compra por uma unidade adicional do bem que estão dispostos a comprar por um preço maior do que seu custo de produção marginal. Logo nesse caso também temos um equilíbrio eficiente, já que qualquer ineficiência não corresponde a ausência da possibilidade de oportunidades de ação para os consumidores. Mas, ao assumirmos que os consumidores e o monopolista são livres para fazer ofertas de compra e venda, temos um problema: Os preços que emergirão dessas transações serão indeterminados. Por exemplo, no caso da compra e venda de um bem, digamos, o agente A vai vender um bem x para o agente B, o agente A valora o bem em $2, o agente B em $4, se assumirmos que ambos estão livres para fazer propostas de compra e venda o preço pelo qual o bem será trocado é indeterminado. Esse problema é resolvido pela teoria do processo de mercado, e será tratado posteriormente.

[10]Além disso o modelo de monopólio não permite a existência de terceiros que compram e vendem a partir de diferenças de custos e preços. Se permitirmos a existência de agentes que arbitram ao comprar uma unidade de um bem do monopolista por um preço próximo a seu custo marginal e vender para os consumidores por um preço próximo ao preço que os consumidores estão dispostos a pagar, então temos eficiência no equilíbrio. Já que qualquer situação onde o custo marginal seja menor do que o preço da unidade marginal é uma situação onde temos possibilidade de ganho com arbitragem de terceiros. Nota-se que a inclusão simultânea desse relaxamento nos pressupostos do modelo de monopólio ao mesmo tempo que relaxamos as outras duas restrições introduzem mais uma complicação, ao elevar o grau de indeterminação dos preços pelos quais as transações serão realizadas.

[11]Logo podemos notar que na ausência dessas restrições ao comportamento dos agentes não conseguir obter o resultado que mais interessa ao CADE: a existência de ineficiência, ou seja, a existência de possibilidade de alocações que podem resultar na melhora (ou pelo menos estagnação) do estado de satisfação de todos os agentes. Logo, se não assumirmos essas restrições não podemos defender a quebra ou pelo menos a ameaça de quebra de empresas com grande fatia de mercado e por isso organizações estatais de defesa da concorrência se tornam inúteis do ponto de vista de um economista preocupado com a eficiência. A questão agora é: Essas restrições no espaço de ação dos agentes correspondem à realidade? Certamente se verifica que na realidade as empresas realmente tendem a cobrar apenas um preço por seu produto (com muitas exceções), que os consumidores normalmente não fazem propostas de compra para as empresas produzirem unidades adicionais do produto e que não é muito comum a existência de terceiros que fazem propostas de compra para as empresas e revendem o bem aos consumidores (embora fosse comum na Inglaterra do século XIX). Mas assumir que essas restrições se aplicam não resolve o problema, que é explicar porque se aplicam. Veremos que o comportamento dos agentes é limitado pelo problema de conhecimento e que ao modelar o comportamento de uma empresa assumindo a inexistência do problema do conhecimento equivale a assumir que essas restrições no comportamento dos agentes não existem. Logo, não podemos aceitar o modelo marginalista de monopólio e todos os modelos de concorrência imperfeita dele derivados (já que os modelos de concorrência imperfeita são, basicamente, modelos de monopólio mais sofisticados), temos que desenvolver uma abordagem alternativa aos modelos estáticos para tratar da questão da concorrência. Essa abordagem já existe:

Conhecimento e competição: A teoria austríaca da competição e monopólio

[12]Primeiro um resumo de seus pontos básicos: Segundo a teoria austríaca moderna, na ausência da existência do problema de conhecimento, ou seja, na ausência de dificuldades na aquisição de conhecimento, não existe diferença entre competição e monopólio. Na verdade nenhuma das duas situações existe se assumirmos a inexistência do problema do conhecimento. Nesse contexto, a competição é um processo dinâmico existente num ambiente de desequilíbrio (definido como um ambiente onde temos o problema do conhecimento). A competição também é um mecanismo de utilização de conhecimento disperso. Então inexistindo qualquer limitação do conhecimento individual, inexiste a necessidade para a existência de mecanismos como a competição. Monopólio é uma barreira a competição, o que resulta na redução da utilização do conhecimento disperso. Essa barreira existe por apenas um motivo praticamente relevante: O uso da coerção para impedir a entrada de competidores.

[13]O que é competição nessa teoria? Indivíduos estão num estado de competição, o que caracteriza cada um dos momentos do processo competitivo, quando, ao adquirir conhecimento, seus planos de ação revisados podem modificar o que seria um plano de ação ótimo por parte de outro agente e vice versa. Em outros termos, indivíduos competem quando precisam antecipar não apenas os dados do mercado, mas também os planos dos outros indivíduos, de modo que consigam “vencer” os outros indivíduos formulando propostas de compra e venda melhores que seus concorrentes, de modo que consigam auferir os ganhos da realização da transação. Por exemplo, pressupondo que um vendedor vai vender um bem no mercado, que temos dois compradores potenciais, onde o primeiro valora o bem em $2, o segundo em $3 e que ambos sejam alertas as propostas no mercado. A partir do momento que o bem é ofertado no mercado, temos competição entre os dois, um processo de mudança nos planos de ofertas de ambos onde cada um, ao antecipar o plano do outro, faz uma oferta por um preço maior. Claro que assumindo a inexistência do problema do conhecimento, podemos deduzir que a transação será efetuada por um preço entre $2 e $3 para o segundo indivíduo. Mas se partirmos de uma situação onde temos conhecimento imperfeito, o preço de venda pode ser menor do que $2 e o bem pode ser vendido para o indivíduo que valora o bem em $2, se esse indivíduo for mais alerta, de modo que ele vai tender a revender o bem para o outro indivíduo. Nota-se que o grau de competição entre os indivíduos não tem nenhuma relação com o comportamento tomador de preços, muito pelo contrário, os indivíduos que não são tomadores de preços são os indivíduos que competem entre si, ao fazer propostas de transação. O comportamento tomador de preços é o comportamento passivo de indivíduos que não fazem propostas de transação, mas apenas aceitam as propostas feitas por empreendedores, ajustando apenas as quantidades que vão comprar/vender pelos preços propostos pelos empreendedores. Logo, um mundo onde todos são tomadores de preços é um mundo onde o processo competitivo não existe, ou seja, onde as possibilidades de competição já se esgotaram, o que caracteriza o equilíbrio walrasiano.

[14]O monopólio é uma situação onde apenas um indivíduo ou organização tem o “direito” de realizar certo tipo de transação. Esse direito pode ser protegido pelo Estado (exemplo: Petrobrás) ou por uma organização criminosa que possuí certo poder de fogo, como o caso do tráfico nos morros do Rio de Janeiro. O monopólio é ineficiente, segundo a teoria austríaca, porque ao impedir que qualquer outro indivíduo ou organização de realizar o tipo de transação “protegida”, se impede que o conhecimento das possibilidades de realização desse tipo de transação que os outros indivíduos possuem deixa de ser utilizado. Temos a ausência na possibilidade de qualquer empreendedor explorar oportunidades de ganho no mercado monopolizado. Logo o mercado monopolizado exibe uma tendência muito reduzida em tender ao equilíbrio, onde todas as possibilidades de ganho mútuo se encontram exploradas, de modo que ele é ineficiente no sentido dinâmico do termo. Nota-se que essa situação só representa um problema quando temos conhecimento imperfeito. Nota-se também que o monopólio representa num ganho para o monopolista porque as possibilidades de lucro em seu mercado não podem ser exploradas por outros. Para defender a concorrência se deve apenas proteger a liberdade de compra e venda, impedindo que organizações criminosas e o próprio Estado limitem as possibilidades de transação existentes no mercado. Uma organização antitruste não defende a concorrência, na verdade sua atuação apenas limita o espaço de ação das empresas, limitando a intensidade do processo competitivo.

Quais são as reais conseqüências da atuação de uma organização antitruste?

[15]Em nenhum aspecto podemos considerar positiva a atuação de organizações antitruste sobre o sistema econômico. Primeiro, ficar processando empresas, de forma praticamente aleatória, apenas reduz o grau de estabilidade econômica e dificulta qualquer plano de ação de longo prazo, principalmente para empresas de grande porte ou empresas em trajetória de crescimento. Segundo, ao impedir a livre fusão de empresas os ganhos derivados da fusão deixam de ser explorados (como ganhos em escala). Terceiro, é relevante para as empresas antecipar as conseqüências da atuação do CADE para seu ambiente de negócios. Por isso conseguir driblar a organização se torna mais um custo e mais uma complicação no grau de incerteza com que a empresa se defronta o que resulta no desperdício do conhecimento dos empreendedores no processo de descobrir como driblar esse tipo de órgão estatal. Em outras palavras, ao invés de se focar em servir aos consumidores, as empresas precisam se focar em como lidar com órgãos estatais criados para intervir no ambiente de negócios (onde o órgão antitruste é um deles), resultando na perda de eficiência do processo de mercado. Por esses motivos eu defendo a extinção dessa organização.

28 de Maio de 2009

Escola Austríaca Aplicada

É recorrente a crítica das pessoas que a produção acadêmica sobre a Escola Austríaca no Brasil só fica explicando conceitos ao invés de aplicá-los ou tentar inovar e algo. Eu acho que tudo tem seu tempo, e é necessário primeiramente que o meio acadêmico compreenda corretamente os conceitos austríacos para que em seguida possa surgir maiores contribuições ao pensamento econômico. 

Mas a algum tempo tive a oportunidade de ler a monografa da Luciana Lopes - defendida na Fundação João Pinheiro - que aplica a teoria austríaca em um estudo sobre o programa carro chefe do governo de Minas, o PDMI.

O Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado é um compromisso de investimento/planjamento para Minas Gerais nas próximas décadas, independente da troca de governos. O PDMI é contantemente elogiado pelo seu planejamento a longo prazo, que é algo que em geral é demandado pelos "especialistas", que acham que isso não existe no Brasil, ou existe em pequena escala.

Então, embuída da teoria econômica da Escola Austríaca, a autora destrói o marco teórico utilizado na criação do PDMI, mostrando sua fragilidade. Em seguida mostra o que aconteceria se o plano conseguisse ser aplicado como está no projeto original, e explica que isso não acontece porque os planejadores do governo não tem conhecimento para realizar a tarefa determinada.

Enfim, vale a pena ler. Quem estiver interessado, a monografia pode ser encontrada aqui.

23 de Maio de 2009

Livre Comércio e os Economistas

É praticamente consenso entre os economistas de que o livre comércio seja benéfico. Essa percepção ultrapassa barreiras de escola de pensamento (pelo menos das escolas de pensamento que fazem parte do mainline, como os clássicos, os neoclássicos e os austríacos), formando um consenso na profissão.

Como afirma Robert Driskill: "Economists’ views on free trade are more synchronous than on almost any other policy question: they almost universally support free trade as a policy." ou mesmo, numa citação do artigo do Robert, Alan Blinder concorda: "Like 99% of economists since the days of Adam Smith, I am a free trader down to my toes". Mas esse mesmo Robert Driskill argumenta em seu artigo uma posição contrária o livre comércio. Nesse caso o impulso psicológico que o incentiva é óbvio: Numa situação onde todo mundo diz uma coisa, dizer outra quer dizer que se está discordando da opinião da maioria e dessa forma, o indivíduo se coloca acima da maioria. Ao ser contrário ao consenso dos benefícios do livre comércio (pelo menos, a forma como o consenso foi estabelecido), esse economista se sente um gênio, no sentido que pensa que compreende o que os outros não compreenderam.

Mas será que uma posição tão fortemente estabelecida como os benefícios do livre comércio pode estar errada? Bem, se eu fosse apostar em qual das teorias se pode confiar mais, a teoria da vantagem comparativa esta praticamente para a economia assim como as leis de newton estão para a física. Simplesmente, se duas pessoas trocam, elas se benefíciam, do contrário, não iriam trocar, não importando se essas pessoas moram na mesma unidade politica ou se existe uma linha imaginária separando os indivíduos.

21 de Maio de 2009

Austríaco na USP

Alguns papers sobre a EA publicados no Brasil que vale conferir:

Quando o autor não trata diretamente sobre a EA nesses papers, ele utiliza de alguma crítica austríaca. Falando no autor, Jorge Eduardo de Castro Soromenho é "Professor Associado da FEA e membro do conselho do Departamento de Economia. possui graduação em economia pela Universidade de São Paulo, mestrado em Economia pela Universidade de São Paulo, doutorado em Economia pela Universidade de São Paulo e livre docência pela Universidade de São Paulo. Trabalha em História do Pensamento Econômico ( temas: Wicksell, Hayek, teoria dos ciclos economicos, história da teoria de equilibrio geral e microfundamentos) e Economia e Complexidade (principalmente em jogos evolucionários)."

19 de Maio de 2009

Best Blog Post Ever!

Mario Rizzo destruindo. Não tem jeito, esse post é ouro.